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A Pior Vaca De Todas

Como a vida nos prega peças.

O dia estava ensolarado as 08h00min da madrugada, era só colocar o braço em busca de um raio de sol e você já sentia um gosto seco de areia na boca.

Sem pensar em meus próprios compromissos para este dia minha mãe mandou pediu que fosse ao banco por ela, (minha mãe já previa que a soma adolescente + dia de sol + falta do que fazer não dava em boa coisa e resolveu me ocupar de algo responsável). Vocês lembram bem de como se ia a um banco antigamente, você perdia meio dia de trabalho ou não, e se esvaia da pouca paciência humana.

Chegando lá o mesmo de sempre filas sem fim, caixas extremamente depressivos e mal educados, pessoas agradáveis, pessoas desagradáveis (geralmente as que furavam as filas) e aquelas que ameaçavam sua saúde mental e física.

Eu mencionei que fui ao banco sem tomar café, e não tinha jantado? Mas lá estava eu atrás de um ser sem luz estritamente violento ao meu olfato.

O tempo se arrastava e nos movimentávamos como bois para o matadouro. Eu já não aguentava mais aquele insuportável cheiro, tudo rodava, parecia que eu não chegaria nunca ao meu destino fatal, estava indo a nocaute ali mesmo no meio da fila, eu era a pior vaca de todas e teria que ser abatida ali mesmo.
O cheiro era uma mistura de chulé, cecê, cocô de cavalo e vômito de bebê.

Já não me aguentava em pé, me equilibrava sobre eles com dificuldade, me desequilibrei pra frente e pra trás, e vi tudo escuro.

Quando finalmente senti o ambiente a minha volta,um cheiro forte de álcool me pegou, estava zonza, mas acordando, percebi que tinham me colocado em uma cadeira, pude ouvir alguém sussurrando:

_Dêem espaço pra ela respirar, ela está acordando.

Depois da linha branca e mancha de cores uniformes finalmente vi rostos, uma senhora segurava um pedaço de algodão, embebido em álcool e passava sobre minha testa e perguntava insistentemente se eu estava realmente bem, quando finalmente recobrei meu senso de orientação pude responder com um tímido sim com a cabeça, mas não foi o suficiente pra ela que não deixou levantar, me senti fraca, meus membros pesados meus sentidos atrasados, mas pude ouvir claramente duas pessoas murmurando maldosamente:

_ Ela deve estar grávida!

_ Quem diria hein!

Como assim? Grávida aos 15 anos? E ainda por cima virgem!

Eu estava fora de mim, mas não suficiente para pensar que era a Virgem Maria. Alguns minutos passados minha mãe já tinha sido avisada e já estava a minha frente consternada com a situação em que me encontrava sua filha, minha mãe nessa época nunca fora doce ou aberta a diálogos, mas sempre fora prestativa e superprotetora.

Cidade pequena, todos conhecidos, tudo perto e muito fofoca. Foi assim, por este motivo ignóbil que minha reputação tinha sido manchada, não que eu ao menos soubesse que tinha uma reputação a zelar eu realmente nem me importava com ela, sempre fingi ser aquém a essas tolices de comportamentos sócio-educativos altamente convidativos, mas isso realmente quebrou um pouco minha fachada inatingível.
Por que um Filha da puta não pode simplesmente pensar que o motivo de teu súbito mal estar, pode ser pelo fato de você estar a 12 horas de jejum involuntário na fila de um banco?

Pra completar ao chegar em casa ainda tenho que agüentar o questionário intimidador de minha mãe que em meio às perguntas óbvias de preocupação com meu bem estar ela não se conteve e me perguntou:
_ Você tem certeza que não está grávida? Não minta pra mim!

Ninguém é digno de confiança não é mesmo? Comigo não seria diferente porem eu fiz questão de lembrá-la que para isso acontecer eu precisava de um espécime masculino para a copula, e nessa época eu ficava longe deles, já tinha problemas demais para uma garota de 15.

Uma garota de 15 que pensa ter problemas sérios!?

Acorda Alice!



  1. It‘s quite in here! Why not leave a response?